DIOGO GARCIA

Fyre festival – a venda de um sonho falso

 Instagram, influenciadores e irresponsabilidade – o mix que resultou no fracasso do Fyre Festival – o festival mais luxuoso e memorável da década que nunca aconteceu. O documentário recente da Netflix, Fyre Festival: Fiasco no Caribe, com direção e roteiro de Chris Smith, traz um ótimo guia de piores práticas não só para a organização de um evento como também para a realização de um projeto.

Para começar, destaca-se a total inexperiência dos sócios a frente de um negócio complexo a ser executado. Além disso, é notória a falta de planejamento e clareza no plano tático e operacional para as equipes envolvidas. A ideia do grande evento nas Bahamas seduziu e deixou cegos não apenas os seus idealizadores como também aqueles que os apoiaram, investiram e insistiram até o final em que o fracasso se materializou.

Um outro ponto chama à atenção – o papel dos influencers, que ganham cada vez mais relevância na promoção de produtos e serviços. No contexto Fyre, super modelos influenciadoras divulgaram em seus perfis do Instagram a experiência de um grande festival, sobre o qual não tinham o menor conhecimento, associando a sua imagem, no final das contas, a um projeto catastrófico, que tem como grand finale impactos negativos sobre a comunidade local da ilha, que serviu como mão-de-obra não remunerada ao então empresário Billy McFarland, idealizador e principal sócio do festival.

 Assim como um post no Instagram das famosas influencers promoveu o evento, que vendeu em 48 horas, 95% dos “tickets para a felicidade”, dos quais ninguém sabia do que se tratava direito, um mesmo post de um “desconhecido” revelou o “fim do sonho”, que viralizou na redes.

Mas nada se compara ao “espiríto empreendedor” de Billy McFarland. Considerado por aqueles que o rodeavam como “visionário”, o perfil do empresário do “segmento da ostentação”, extrapola os conceitos do conjunto de comportamentos que definem um empreendedor. McFarland. depois de processado e preso, segue ainda com uma nova iniciativa ambiciosa – para nao dizer fraudulenta (sem spoiler!) – o que lhe confere uma análise “especial”.

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